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Startup Europe Week passou por Portimão, mas objetivo é alargar empreendedorismo ao Algarve

publicada em: 2016-02-08

Pode o Algarve vir a transformar-se num “Silicon Valley”? Esta foi uma das perguntas que ficou no ar, na passada sexta-feira à noite, no pequeno auditório do Teatro Municipal de Portimão, no “Start Talking About…”.

Este evento, integrado na Startup Europe Week, que foi assinalada em mais de 220 cidades europeias, juntou empreendedores da região, e não só, perante uma audiência de 160 pessoas. Falou-se sobre problemas, potencialidades e soluções para fazer da região algarvia um «ecossistema empreendedor».

Segundo Luís Correia, ele próprio um empreendedor e um dos organizadores do evento – o maior alguma vez feito na Europa, neste âmbito – «qualquer startup é um guardanapo, grande parte das startups começam assim, com uma ideia escrita no guardanapo. Mas é difícil passar do guardanapo à vida real. Há burocracia, taxas, licenças… além disso, o mercado europeu é muito diferente do mercado dos Estados Unidos, onde há um território muito grande, sem fronteiras. Na Europa, cada país tem as suas exigências, as suas leis. É isto que a “Startup Europe Week” pretende eliminar».

No “Start Talking About…” participaram André Marquet, co-fundador e presidente de Productized.co e co-fundador da Beta-i, Bruno Carlos, diretor geral da Clarnet Soho Portugal, Hugo Barros, coordenador do CRIA- Universidade do Algarve, João Saleiro, co-fundador da Boonzi.pt (software de finanças pessoais), e Ana Luís, representante da CCDR Algarve e do CRESC Algarve 2020.

SEWPortimão (3)

Luís Correia Foto: Alexandra Ciobanu do Curso de Multimédia da Escola Secundária Poeta António Aleixo

Para Luís Correia, a iniciativa em Portimão «excedeu as expetativas, porque o tempo foi muito curto. Submetemos a proposta à Comissão Europeia no final de dezembro e, no início de janeiro, recebemos a resposta: “ok, podem fazer”. Tivemos menos de um mês para organizar e sempre pensámos em fazer este evento no Café-Concerto [do TEMPO], que tem 80 lugares, mas, ao fim de três dias, os lugares esgotaram. Passámos então para o pequeno auditório, colocámos a bilheteira para 180 lugares, sendo que a sala tem 160. Mas, com mais tempo, a audiência teria sido maior».

A nível do que foi discutido, Luís Correia também faz um balanço positivo. «Foi interessante, tentámos trazer pessoas de vários pontos do Algarve, à exceção do André, que é umecosystem builder, mas que vem muitas vezes ao Algarve. Foram convidados de espetros diferentes: o CRIA é mais institucional, a CCDR gere fundos europeus e trouxemos dois empreendedores: um algarvio, mas que não está no Algarve [João Saleiro], e outro que conseguiu ter sucesso na região [Bruno Carlos]».

Esta foi uma das questões que suscitou maior debate durante a sessão. Para João Saleiro, «não existe nenhuma razão para não criar uma startup no Algarve. Há melhor qualidade de vida, a Internet é a mesma, as instalações mais baratas…».

No entanto, o fundador da Bonzi, que trabalha em Lisboa, acha que faltam duas coisas: «exemplos positivos e mindset. O fenómeno startup é novo em Portugal e é ainda mais novo aqui», considera.

É para criar este mindset que Luís Correia organizou o evento e o objetivo é alargar este tipo de iniciativas a todo o Algarve: «tudo isto começou porque criei um grupo no Facebook chamado Start Algarve. Eu costumo trabalhar no Algarve [na Popcornmetrics, startup da qual Luís Correia é co-fundador] e estava cansado de não conhecer outras pessoas e de trabalhar sozinho. Convidei algumas pessoas e rapidamente o grupo atingiu os 140 membros. Ao fim de duas semanas, fiz um meet-up e teve 17 pessoas. O primeiro foi em Portimão e já fizemos um segundo em Lagos. Vamos agora fazer um “Startup Weekend”, dentro dos próximos três ou quatros meses, e, pelo meio, vamos organizar uma série de sessões informativas eworkshops para promover empreendedorismo na região», adianta.

«O que quero fazer com o grupo é abranger o Algarve todo, com eventos em Faro, Loulé Albufeira… para criar um grupo de pessoas, uma comunidade que fala a mesma língua e que está presente no Algarve inteiro», conclui.